terça-feira, 10 de novembro de 2009

Calendário 2010

Abaixo segue o calendário 2010 de eventos Randonnée(BRM) no Brasil. Para quem não sabe, há menos de dois meses o Luiz Maganini Faccin, cacique do Santa Ciclismo, clube que promove eventos Audax e Randonnée em Santa Cruz do Sul/RS, aceitou o encargo de correspondente ACP no Brasil. Desde então uma enorme pressão foi colocada nos organizadores de Audax/Randonnée para que definissem suas provas no ano de 2010 e fornecessem todos os dados necessários as homologações dos eventos realizados em 2009. O resultado é que todas as provas de 2009 já estão homologadas (em breve no site www.audaxcriciuma.com.br a homologação do 300 do Carvão estará disponível) , bem como o calendário de 2010 está pronto.
Portanto, temos hoje um representante do ACP no Brasil que é novato na função e querendo mostrar serviço para fazer a diferença; motivado, pois realmente gosta do que faz (as vezes chega a ser insano); e entende do assunto, pois randoneiro fominha, audaxiopata, fléche instigador, organizador espartano e agora, correspondente obcecado. Obrigado pela faxina Faccin! Como este blog dedica-se primordialmente a divulgação das provas do Audax Criciúma, as datas das mesmas aparecem em destaque no calendário apresentado.

Calendário Brevets Randonneurs Mundiais Brasil 2010


Janeiro 2010

17/01/2010 - 200 km - Audax Rio - audaxrio.blogspot.com

17/01/2010 - 200 km - Audax Paraná - www.audaxparana.com.br

Fevereiro 2010

07/02/2010 - 200 km - Audax Paraná - www.audaxparana.com.br

Março 2010

06/03/2010 - 200km - Audax Brasil - www.audaxbrasil.com.br

07/03/2010 - 200km - Sociedade Audax de Ciclismo - www.sociedade.audax.org

13/03/2010 - 300km - Audax Paraná - www.audaxparana.com.br

14/03/2010 - 200km - Audax Ijui - ijuibikers.blogspot.com

14/03/2010 - 200km - Clube Audax Porto Alegre - audaxpoa.ciclosinos.com.br

14/03/2010 - 200km - Audax Rio - audaxrio.blogspot.com

21/03/2010 - 200km - Audax Floripa - www.audaxfloripa.com.br

28/03/2010 - 200km - Santa Maria Ciclismo - audaxsantamaria.blogspot.com

Abril de 2010

02/04/2010 - Fleche - Santa Ciclismo - www.audaxsantacruz.blogspot.com

02/04/2010 - Fleche - Sociedade Audax de Ciclismo - www.sociedade.audax.org

02/04/2010 - Fleche - Randoneiro Cristal - www.randoneirocristal.blogspot.com

10/04/2010 - 400km - Audax Paraná - www.audaxparana.com.br

11/04/2010 - 200km - Audax Caxias - www.audaxcaxias.blogspot.com

17/04/2010 - 300km - Clube Audax Porto Alegre - audaxpoa.ciclosinos.com.br

18/04/2010 - 200km - Audax Brasília - www.audaxbrasilia.com.br

24/04/2010 - 200km - Audax Brasil - www.audaxbrasil.com.br

25/04/2010 - 200km - Audax Lajeado - audaxlajeado.blogspot.com

Maio de 2010

08/05/2010 - 600km - Audax Paraná - www.audaxparana.com.br

15/05/2010 - 400km - Clube Audax Porto Alegre - audaxpoa.ciclosinos.com.br

16/05/2010 - 200km - Audax Criciúma - audaxdocarvao.blogspot.com

22/05/2010 - 300km - Audax Caxias - www.audaxcaxias.blogspot.com

30/05/2010 - 300km - Audax Brasília - www.audaxbrasilia.com.br

Junho de 2010

12/06/2010 - 400km - Randoneiro Cristal - www.randoneirocristal.blogspot.com

12/06/2010 - 300km - Audax Rio - audaxrio.blogspot.com

12/06/2010 - 300km - Sociedade Audax de Ciclismo - www.sociedade.audax.org

26/06/2010 - 300km - Santa Ciclismo - www.santaciclismo.com.br

26/06/2010 - 300km - Audax Brasil - www.audaxbrasil.com.br

Julho de 2010

10/07/2010 - 400km - Sociedade Audax de Ciclismo - www.sociedade.audax.org

Agosto 2010

14/08/2010 - 600km - Randoneiro Cristal - www.randoneirocristal.blogspot.com

20/08/2010 - 600km - Sociedade Audax de Ciclismo - www.sociedade.audax.org

21/08/2010 - 400km - Audax Brasil - www.audaxbrasil.com.br

Setembro 2010

17/09/2010 - 1000km - Sociedade Audax de Ciclismo - www.sociedade.audax.org

24/09/2010 - 300km - Audax Criciúma - audaxdocarvao.blogspot.com

Outubro 2010

Sem brevets

Novembro de 2010

20/11/2010 - 600km - Audax Brasil - www.audaxbrasil.com.br

Brevets Válidos para a série 2011
Estes brevets são classificatórios para o Paris Brest Paris 2011

Novembro 2010

01/11/2010 - 200km - Sociedade Audax de Ciclismo - www.sociedade.audax.org

07/11/2010 - 200km - Randoneiro Cristal - www.randoneirocristal.blogspot.com

07/11/2010 - 200km - Audax Paraná - www.audaxparana.com.br

14/11/2010 - 200km - Audax Rio - audaxrio.blogspot.com

20/11/2010 - 200km - Santa Ciclismo - www.santaciclismo.com.br

Dezembro 2010

04/12/2010 - 300km - Randoneiro Cristal - www.randoneirocristal.blogspot.com

04/12/2010 - 200km - Audax Brasil - www.audaxbrasil.com.br

05/12/2010 - 200km - Audax Paraná - www.audaxparana.com.br

05/12/2010 - 300km - Santa Maria Ciclismo - audaxsantamaria.blogspot.com

Mais informações sobre Brevets Randonneurs Mundiais, organizados pelo Clube Audax Paris, visite o site: www.randonneursbrasil.org

domingo, 8 de novembro de 2009

Rescaldo Final - 300 do Carvão

Toda a organização da prova estava com muita vontade de acertar. Mesmo assim algumas coisas deixaram a desejar. Vamos a elas:

1ª - Carta de Rota: faltou informação na carta de rota. Evidente. Como por exemplo a quilometragem e ponto de referência nas mudanças de rota (aonde haviam as setinhas). Em outras palavras, faltou que a organização se colocasse no lugar dos "estrangeiros" quando da confecção da carta de rota.

2ª - PC2 - Posto Fratelli, situado na zona metropolitana de Tubarão/SC. É verdade, estava todo mundo "bebaço" naquele PC. Sem contar os bêbados na estrada a partir da rotatória de Termas de Gravatal/SC. Para agravar a situação, provalmente o trecho de asfalto em piores condições da prova eram os quase vinte quilômetros entre o Trevo de Gravatal e o PC2. Bom, para o ano que vem, o que a organização pode garantir é que este trecho entre o Trevo de Gravatal e Tubarão não entrará no percurso.

3ª - Na parte final da prova, ficou evidente que alguns ciclistas não respeitaram o trajeto estipulado pela organização. Só não foi possível identificá-los. Para o próximo ano um PC secreto será criado nos quilômetros finais, permitindo a identificação e consequente desclassificação dos "sem honra".

- Outras solicitações foram efetuadas. Sem dúvida, no final da prova, uma cerveja gelada para cada brevetado e engrandecendo o "caminhão" de prêmios dos concluintes (medalha+certificado) é uma ótima idéia (valeu Kbça!). Para as mulheres uma "pretinha", que tal?! Por fim, solicitaram que o trajeto fosse demarcado. Essa idéia, particularmente não me agrada. Orientação faz parte do randonnée. Ainda assim, a organização tentará pintar alguns postes, "mastigando" o caminho para os inseguros.

- A questão da Polícia Rodoviária Estadual em Santa Catarina é um caso a parte. Neste ano, começamos as negociações com os órgãos públicos a 62 dias do 300. Após várias taxas pagas e algumas viagens para a capital do Estado, veio o bem redigido "Não! Porque não!". No momento, o que se denota no Comando do Batalhão da Polícia Rodoviária do Estado de Santa Catarina: "Não sabemos o que é audax/randonnée e temos raiva de quem sabe!". Enquanto isso as provas vão acontecendo "goela abaixo" das autoridades. No maior estilo Gandhi. Revolução Silenciosa. Portanto, tudo indica que em 2010 esta será uma pergunta irrelevante: "A polícia liberou?!"

Abraço a todos!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O 300 foi quase uma valsa: três pra cá; três pra lá.

Quero fechar a seção de fotos do brevet com imagens da turma das 12 horas, que abriu os trabalhos na chegada da prova; bem como da turma que fechou os trabalhos na linha de chegada. A primeira imagem mostra o Gilmar Mohr de Presidente Getúlio/SC e o Cláudio "Tokito" Baesso daqui de Urussanga/SC, felizes ao carimbar o passaporte em 12h26m de prova. O Gilmar conheci no briefing, depois o cara andou tão forte que praticamente não o vi. No dizer do urussanguense Tokito: "- O Gilmar é um velhão muito legal e gente fina!". Já o Tokito dispensa apresentações, lendário ciclista urussanguense, tem por hábito treinar escondido, quando não treina durante a prova mesmo. Corre o boato de que só fez três treinos para o 300 do Carvão. Jogada de marketing, claro.





A segunda imagem traz o urussanguense Idalino "Popeye" Bonotto. Sempre rápido e competitivo, mas que dessa vez ganhou uma "banana" da dupla do menor tempo (na foto já a levava na mão). Mesmo assim conseguiu chegar na marca das 12h, acrescidas de 56m.






Quase sete horas depois... chegam os três guerreiros do maior tempo (Pedro Burba de Curitiba/PR; Henrique Wendhausen de Bal. Camboriu/SC e Greiciely Lopes de Curitiba/PR) com 19h22m de prova. Nas imagens suas feições não me deixam mentir. A prova foi dura. Particularmente adoro sofrer, portanto, debutar na organização de um brevet "fácil" seria frustrante. Fiquei muito satisfeito em saber que maioria deu "graças a Deus" quando concluiu. Tudo o que é difícil fica na memória e rende histórias/estórias.



Abraço a todos!!

domingo, 20 de setembro de 2009

Histórias do pelotão

Não é de hoje que provas de longa distância atraem e produzem figuras marcantes. No carvão não foi diferente. Já falamos aqui do Zé "sem" Bigode, do Linguarudinho, dos gaúchos Super Randonneurs 2009, do "Fábio Pocotó", do Raul e atualizamos a lista:


- o cara veio do local mais longínquo destas bandas, Maringá/PR. Soube que comeu uma massa no restaurante indicado pela prova e era "ao funghi". Nascia aí o "Alucinado do Carvão". Com cogumelo na parada o randonneur chegou a Orleans desorientado. A organização o encontrou no posto tigre de Orleans, às 3h30m da madrugada. Não sabia se pegava carona, se seguia em frente, se ficava onde estava, se voltava ao local de largada... nos despedimos do mesmo informando que apenas 12KM o separavam do PC1/3, em São Ludgero, sendo que metade desses quilômetros era de descida. Conclusão: não apareceu nos PCs, não atendia ao telefone e foi encontrado novamente no local de largada pelo "Raulzito", perto das 17h de domingo;

- o Cantinho da Massa é pródigo em sabores de pizzas. Então, soube que um cara de Florianópolis pediu o sabor "sal de frutas". Após a iguaria, nascia aí o "Vomitão do Carvão". A figura vomitou e se superou até a "rampa lança-míssil" (aquela subidinha bucólica na saída de Lauro Müller...). Segundo o próprio, bem no meio da rampa houve uma "câimbra em cadeia", travando totalmente o sistema. Conclusão: SAMU nele!! "Brevetou" no carro da organização.





- tem o Maguido de Içara, com um visual retrô e sempre de bom espírito, quando a coisa ficava dura, dá-lhe rapadura que cura;





- tem também o "El Gringone" Jorge Rovetto. Responável pela internacionalização desse brevet, figura robusta e marcante aos 62 anos de idade, logo ganhou o apelido de "Jacque Cousteau". Brevetou com um tempo excepcional e quando conversei com o mesmo no PC5, estava com um ótimo semblante.











- tem ainda a turma de Curitiba, o Sérgio Lopes, aspirante a frentista do Posto Fratelli (PC2); o Pedro Burba que no finalzinho, só pra mostrar que tava tudo sob controle, foi até o BR101 comer um risólis de presunto e queijo no Bar do Jóia (brincadeirinha...); e a guerreira Greiciely Lopes que quando a vi no PC4, o temido, totalmente destruída, a última a carimbar seu passaporte no local, faltando meros 15 minutos para o fechamento do PC, e sabendo que "apenas" 99Km a separavam da conquista, chorou um pouco no ombro no namorado, pediu uma faca emprestada pro "Mariot", proprietário da lancheria, mordeu-a com força e só soltou na linha de chegada. Furiosa.





- por fim, há "Os Rabetas", dois florianopolitanos muito descontraídos e de bom espírito. Aqui vale um parênteses: suas mulheres os acompanharam ao longo do trecho que percorreram. Os vi parando em alguns PCs "extras" pelo caminho e fiz "vista grossa". Claro, caso não estivessem no final do pelotão não admitiria esse tipo de coisa. Não gosto de ser "provalecido", estava estampado no rosto deles o quanto a empreitada estava sendo dura. Conselho aos amigos: numa primeira análise, um carro acompanhando acalenta o coração e transmite segurança. Mas é uma via de mão dupla, pois a regra de ouro (ver post sobre o assunto) do randonnée está indo para o espaço, em outras palavras, sem ritmo não há brevet. No final das contas, quanto mais tempo parado, pior. Ainda, partindo do pressuposto de que nossos carros são uma extensão de nossos lares... desistir e ir pra casa estará sempre "à mão".


- para pensar: "Randonnée não cansa; exaure. Só cansa quem não tem ritmo."

Abraço a todos!!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Figuraça do Carvão: Luiz "Raul" Pereira

Talvez aqui esteja a maior "figuraça" desse brevet. O cara veio a caráter para a prova, pilotando uma Peugeot maravilhosa, paralamas requintados, alforges laterais, camiseta de algum clube de remo de Florianópolis, com tecido "dry" da década de 70, "suplex" branco sexy, e o shape do "Raulzito". De um humor inconfundível e inabalável, não importava o momento em que o atacássemos durante a prova, a resposta era sempre a mesma e de igual entonação: "-Uhhuuulllllll!!!". Ao final, deixou um lindo depoimento no site "Caminhos do Sertão", que deliberadamente segue:




"Levando a alma pra passear: 300 km com morrebas no Audax Carvão



O relato que se segue apresenta o resultado perceptível do que foi pedalar os 300 km que justificaram o treino teste realizado na semana passada, que nesse momento parece tão distante quanto agora são as dores sofridas durante as duas experiências. A difícil tarefa do corpo de levar a alma pra passear, proporciona-nos sensações prazerosas, que só são sentidas no momento vivido, virando boas lembranças imediatamente ao término da empreitada, e uma sedução para seguir em busca do outro limite de desafio, que são os 400 km.
Na condição de cicloerrante, com a conhecida aptidão física e tática, montado num equipamento bastante rudimentar, não me propunha a percorrer o trecho acompanhando meu amigo e estimulador Della, que chegou entre os quatro primeiros, mas dentro do limite de tempo que é destinado aos que querem enfrentar o desafio, na modalidade e faixa etária do cicloturismo. Enquanto o ilustre completou a prova em doze horas, eu o fiz em dezoito, no mesmo padrão do Audax 200. Daquela vez, pelas condições do terreno, a minha média foi um pouco maior.
Para quem ainda não conhece, o Audax tem como proposta o desafio de vencer as distâncias num tempo determinado, sem a exigência do rigor da prova. No caso do Audax 300 do Carvão, a organização elevou ao máximo o limite. Dos trezentos quilômetros, duzentos eram de estradas com lombas e serrotas, que exigiram um esforço adicional às canelas e juntas, uma paciência a mais no momento da experiência. Isso só aumentou o prazer de curtir.
Saímos de Criciuma às 23 horas, percorrendo os primeiros quilômetros com um carro batedor, num bloco bem concentrado, numa velocidade bem excitante. Duas motos policiais acompanhavam o cortejo, interrompendo o trânsito dos automóveis à nossa passagem. Depois disso, quando saímos do ambiente urbano, cada um seguiu no seu ritmo, vencendo as montanhotas e subidinhas, até o primeiro Posto de Controle, na cidade de São Ludgero, a uma distância de uns oitenta quilômetro. Neste trecho, vi algumas pessoas ficando para trás, por pneus furado e problemas mecânicos. Lentamente eu ia encostando em alguns pequenos grupos, que iam ficando para trás, por abandonarem o pelotão de frente, que era composto por atletas e jovens, como o meu amigo Della, que só não chegou antes dos primeiros quatro, porque parou algumas vezes para repousar sentado no Celite, graças ao jantar no rodízio de pizza, onde Ele, o Evando e o Marcelo, companheiros de jornada, deliciaram-se nos vários sabores da gloriosa massa. Os outros dois, tiveram a brincadeira interrompida, pela mesma perturbação gástrica.
A chegada em Tubarão, às cinco e meia da matina, coroava a etapa noturna, trazendo a luz do Sol, para melhorar a visibilidade da paisagem e da estrada. Voltamos à cidade de São Ludgero, onde fomos recebidos com uma deliciosa canja de galinha caipira, que além da carne tem as vísceras (coração, fígado) e óvulos, retirados dos ovários de galinhas poedeiras. As bolotas parecem batatinha, e a gente enche o prato, só percebendo a diferença ao provar. É uma turbina proteica, excelente para proporcionar energia para vencer a etapa mais extenuante.
Subimos a Serra do Rio do Rastro, a uma altitude de 760 metros, num trecho de cinquenta quilômetros praticamente só de subida. Esta brincadeira começou no início da manhã, durando até meio dia, quando cheguei ao topo do sacrifício. Quando me disseram que faltava apenas uns seis quilômetros, minha alma já tinha saído do corpo, e a sombra zombava da minha cara. Parei umas cinco vezes, pra me entupir de gel sei lá pra quê, barrinha de isotônico, banana seca, castanha de caju, uvas passas… até água eu tomei, neste momento de quase desistir. Doeu até a última prega, quando olhava para o horizonte, e fui ultrapassado por uma das três meninas participantes, e ouvi o ‘vamo tio….’. Na última tentação sentida pelo corpo, de pensar em não chegar, fui alcançado pelo Pedrão, um curitibano de 71 anos, que xingava a mãe de todos os organizadores, e algumas ancestrais mais pregressas. Ao final, tudo se transformou em alegria, animando o trecho final, que não poderia ser pior do que isso.
Os últimos cem quilômetros são sempre marcados pela perda do ânimo físico, mas o aumento do moral. As dores vão aparecendo, a carne vai ardendo, mas a alegria de ver o trecho diminuindo serve como um elixir, que ajuda a lubrificar as juntas. Ao mesmo tempo, o peso do alforge vai diminuindo, pois o estoque de comida vira suor, que vai ficando pelo caminho. Foi graças ao poder de transformação da canja com ovo cozido em metano, que a potência do pedalar cresceu. Cada pum exalado equivalia a uma pedalada. E não foram poucos, durante toda a manhã. O trecho da última tarde foi um pouco mais plano, mas com muitas lombas bastante extensas até a sua totalidade. Para finalizar a brincadeira, o trânsito urbano, a falta de orientação para chegar ao objetivo, e a companhia de apenas dois novos companheiros de empreitada, com quem me juntei nos últimos quilômetros, fizeram o complemento das emoções, que só a endorfina pode proporcionar.
Daqui de Florianópolis fomos juntos seis ciclodementes. Além do Della e do Evandro, o Jorge, nosso ilustre representante internacional, que sofreu pela derrota da sua seleção pela turma do Dunga, mas chegou bem antes que eu, e o Ronaldo, com quem pedalei praticamente todo trecho, junto o Gilmar, um ilustre camarada de Balneário Camboriu. Em grupo, conseguimos nos manter mais fortes, seja para melhorar a visibilidade, ou para compartilhar conversas e animações.
Apesar do rigor da prova, só tenho a registrar cumprimentos à organização, pela disponibilidade e animação da equipe, o que sempre contribui para o sucesso da empreitada. Vou me preparar para os 400 km, pra ver onde é meu limite nessa brincadeira. Andar de bicicleta é um prazer que não tem dimensão clara. Tanto nos anima nos passeios de um simples domingo, junto com a esposa, quanto essas aventuras, que nos tiram do sério, propiciando a alegria de conhecer novas pessoas, lugares e experiências. E isso não tem preço.





Huli Huli





Luiz Pereira"


Ver o "Raul", de 51 anos, levar aquela Peugeot que deveria pesar mais de 20Kg, até o PC4, no coração da Serra do Rio do Rastro, não teve preço. Parabéns pelo brevet Raul!! Abraço a todos!!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Gaúchos do Carvão

Vieram apenas dois gaúchos para o brevet. No entanto, de primeira linha. Ambos são Super Randonneurs 2009 (200/300/400 e 600 - possuem todos os brevets desse ano) e ambos tentaram a sorte no Farrapos 1000KM de julho passado. Estou falando do Edson Berreta e do Rafael Castro. Seus coletes refletivos possuíam o selo de aprovação e auteticidade da "Faccin Inspeções" (ver foto) e pedalaram todo o brevet juntos, mas só o Berreta tombou. Logo no início do trecho, ainda quando neutralizado, o Rafael teve um rasgo lateral em seu pneu (por sinal, ainda estou com o pneu rasgado), obtendo um "mãozinha" da organização em razão do trecho ser neutralizado. Ao final da prova perguntou se poderia mandar um depoimento, recebendo um sonoro "-Mas é claro tchÊ!". Segue:

"Sábado, 05 de setembro de 2009, 23 horas, o Brasil acabara de fazer o terceiro gol na Argentina e nossas bikes começavam a se movimentar pelas ruas de Criciúma. Queria assitir o jogo, jogaço... Mas, pedalar 300km por caminhos longe do Rio Grande me atraía mais. Havia a expectativa de belas paisagens e a Serra do Rio do Rastro era convidativa para embelezar essa nova aventura "randonneira". Menos de 5km rodando em grupo com os destemidos e aventureiros ciclistas e uma voz grita: olha o vidro! Psssssssss... Meu pneu furou! Furou não, rasgou. Obra de bêbado, garrafa no asfalto, pneu rasgado na banda lateral. Troquei o mais rápido que pude, com o apoio do meu companheiro de pedal e viagem Edson Berreta e uma "mãozinha" na roda do carro de apoio que iluminava nosso trabalho. Seguimos forte atrás do "pelotão", 30km/h! Estrada escura e irregular ... só alcançamos um ciclista lá pelo km 30... Numa subida! E como tinha subida! Já cansado de tentar buscar o grande grupo de ciclistas, diminuimos nosso ritmo e voltamos a normalidade. 25km/h e ritmo leve nas subidas. E como tinha subida! PC 1 chegou, alívio. Rápida regeneração, cafezinho, banana, power gel... E novamente na estrada... Pior, mais subidas. Km 89, outro bêbado querendo mostrar sua masculinidade para outros bêbados, arrancou com violência seu carro tunado a contra-mão na saída de um posto e me fez frear assustado, meu companheiro engavetou na traseira da bike e foi ao chão. Um motorista irresponsável tentando provar sua precária masculinidade quase nos tirou da prova. Bem, até o km 120, todos nós ciclistas passamos por "maus bocados" com pessoinhas pouco inteligentes e muito assustadas representando uma alegria que não convence nem a eles mesmos... Deve ser por isso que nunca estão satisfeitos! Apesar das dificuldades, pedalar estava gostoso. A estrada até Tubarão não era das melhores, mas o desafio ainda não tinha começado, lógico. Retornamos do PC 2 as 6 horas e começamos a curtir a paisagem... A estrada estava calma e o pedal começou a render. PC 3 chegou muito rápido. Parada muito importante. Sopinha supimpa, coca-cola, barra de proteína, power gel, banana e concentração... O randonnée iria começar de verdade, meninos e homens se separaram. Km 160, entramos a direita e começamos a subir, digo, continuamos a subir. E como tinha subida! E a serra ainda não chegara... E dá-lhe subida, descida, subida, subida, subida... Putz! E a serra?! Não dava pra ver... Neblina e subida não combinam com paisagem bonita. A estrada era boa, os carros respeitavam, as motos roncavam e a bike pesava... Subida, subida... Apareceu uma enorme, nem tanto, mas inclinada... muito inclinada. Minha visão estava escurecendo, falei pro Edson: "tô quebrando". Nem babava, pois não tinha saliva. Ultrapassamos o que chamamos de "rampa lança-míssil" e entramos na Serra. O que?! Só agora chegamos na Serra?! Subida, subida, subida... A paisagem começa a ficar ainda mais bonita. Olhei para o lado... Vertigem. Melhor olhar para o asfalto. E subimos, subimos, surgiu o primeiro mirante. Parada pra recarregar as baterias. Visual deslumbrante. Outros valentes ciclistas chegaram, outros já estavam por ali. E novamente subimos e subimos... Outra parada... Já estava quase no meu limite. Conversamos com um simpático ciclista argentino. Simpático argentino?! Pois é, não dá pra acreditar. Eles existem! Brincadeiras a parte, somos todos iguais é claro. A única diferença é que somos pentacampeões!! Subimos mais um pouquinho e avistamos o PC4. Já estava no meu limite. Minhas pernas quase já não respondiam... Pedalando numa speed com relação 39/52 e pinhas 12 a 26 me desgastei demais. Últimos metros, últimos 400 metros... Quase parei. "Vamo guerreiro... Falta pouco", diz o Edson pedalando numa speed com coroa tripla e usando relação 30/26... Speed randonneira tem que ter relação leve: 34/50 e pinha 12/27, tô convencido disso. Chegamos finalmente no PC da Serra do Rio do Rastro, 201 km percorridos. Minhas pernas bambas, fracas e meu corpo todo contraído. Alívio, felicidade e satisfação. Tinha certeza que estava participando do meu mais difícil brevet de 300km. Talvez até mais difícil que o brevet 400km de Santa Cruz do Sul (SCS - Canguçu - SCS 2009) em que concluí em 21 horas. O PC da Serra foi uma curtição. Comprei lembrancinhas, curti o povo, a paisagem e retornamos aliviados e seguros. Concluímos bem o brevet... Depois do km 250 tudo ficou muito tranquilo, escapamos de um cachorro rottweiler mal intencionado que esperava pelos ciclistas na porteira de casa, furei novamente o pneu no "anel viário" já no km 282 e pedalamos nossos últimos quilômetros relembrando nossa façanha... Subidas intermináveis, noite, carros, bêbados, queda, estrada ruim, subidas, subidas, serra... "rampa lança-míssel", cachorro, pneu furado, pneu rasgado... Chegada, alegria e felicidade. Meus agradecimentos a todos os voluntários e a rapaziada amiga do Maico. Gente boa, bacana, simples e amiga... Ao Maico, companheiro de randonnée aqui no Rio Grande, Super Randonnée 2009 e Farrapo esfarrapado como nós, deixo um grande e sincero obrigado e parabéns pelo ótimo trabalho no Audax do Carvão. Não é fácil organizar uma prova como essa, vocês merecem nossa admiração.
A todos os randonneurs que concluíram o brevet meus parabéns, pois não foi fácil, acho até que é o mais difícil do Brasil.
Abraços ciclísticos,
Rafael Pereira de Castro
Super Randonneur 2009"
Randonnée é dor, sofrimento, superação, disciplina, persistência, pragmatismo, competência, obstinação e, sobretudo, amizade. Costumo dizer que o "sofrimento é democrático". Na longa distância, todo mundo apanha, não importa o condicionamento ou o porte físico. Conheci o Berreta no 300KM da Serra, de Caxias do Sul/RS em maio deste ano. Depois, o Rafael no 400KM de Santa Cruz do Sul/RS. Identificação imediata. Pudera, somos todos da mesma tribo, somos todos randonneurs.
Abraço a todos!

Fortes amizades no Randonnée do Carvão

Vamos falar dos dois “pescadores” de Balneário Camboriú. O José Roberto do Carmo e o Henrique Wendhausen da Silva. Logo no início da prova, já estavam ocupando, despreocupadamente, a rabeta do pelotão. No briefing o Wendhausen já disse para o que tinha vindo: “Vou fechar a prova! A última colocação já tem dono!”. Quando o Zé Roberto sobrava, o Wendhausen dava uma voltadinha só pra seguir na rabeta com ele. E assim foi, até a Igreja de São Gervásio e Protásio, no Rio Maior, em Urussanga (foto), quando aconteceu a primeira desistência do 300 do Carvão. Ao final daquele ciclo de subidas o Zé Roberto dava adeus ao brevet prometendo vingança/revanche no ano que vem. Gostei do espírito. O Zé Roberto, popular Zé Bigode (agora sem, claro), dispensa apresentações, na foto de abertura deste blog é ele com sua “bike tunada”. Já, quanto ao Wendhausen, que no transcurso do brevet ganhou o apelido de “Linguarudinho”, posto duas belas fotos de sua performance por nossas estradas, além de um depoimento enviado a organização:


"Bom dia!

Grandes do AUDAX DO CARVÃO!!!!!!

É com muito prazer e satisfação que escrevo estas palavras em agradecimento a atenção dispensada por Vocês aos Audaxiosos do 300 km, que pelo meu cronômetro foram 313 km. Lá no meio do caminho depois de subir meio mundo os pensamentos já estão meio desgastados imaginando o que se tem pela frente. Mas toda força retirada do nosso corpo pelas cabeças já meio debilitadas vão se dobrando ao passarem pelos PCs. O ser humano é muito aguerrido, adora uma disputa. Eu, pessoalmente, participo dos Audax por que não é uma competição, e está ligado diretamente ao cicloturismo, a um passeio com belas paisagens como foi este que Vocês organizaram brilhantemente. Muitos devem se perguntar lá no meio do caminho o que estou fazendo aqui, subindo, descendo, subindo, descendo e assim vai. Mas o verdadeiro espírito do Audax está nas pessoas, aquelas que dão moral, princípio e organização ao evento, a princípio não os que participam por que estes vão pelo prazer e lazer. A organização não é só botar as coisas nos devidos lugares é se fazer presente como ser humano e isto Vocês o fizeram com muito louvor.
Pedalei 300 km por uma passagem deslumbrante que espero repetir o ano que vem, as dificuldades que encontramos foram totalmente superadas pela total atenção dispensada por Vocês a cada PC pelo caminho até o ultimo instante, por isto Eu digo cobrem o dobro faço questão de pagar mas não deixem de organizar os próximo 300 km pelo mesmo trajeto. Quem participou deste vai treinar mais, os novatos vão ser colocados a prova, parabéns de novo, Vocês merecem. Despeço-me aguardando notícias para breve.

Um abraço

Henrique da Silva Wendhausen"

Ao final, o Linguarudinho mostrou que é homem de palavra. Após 19h22m de pedal, concluía o brevet junto do veterano Pedro Burba e da guerreira Greiciely Lopes, ambos de Curitiba/PR, e quem o esperava na linha de chegada, emocionado, era seu parceiro de pedal, Zé Bigode. Randonnée é isso: um mix de dor e emoção que sempre rende um caldo temperado. Agora, após filosofar bonito, vou almoçar. Abraço a todos!!