23 de outubro. Uma guerra estava marcada. Descobrimos que seria uma guerra com muitas baixas no test ride do Ciro ainda em agosto, quando este completou o percurso em 11h50min. Chegamos a remover a postagem com seu resultado, pois poderia assustar os inscritos. Havia uma linha tênue entre o esforço verdadeiro e a insanidade que precisávamos encontrar e preservar. Reavaliados os últimos 50 Km de prova e um efêmero equilíbrio fora encontrado.
Semanas antes do evento, enquanto os happy rides eram feitos, fracionando o percurso em três partes, o tom de apreensão envolvia esta frase: " - Quero ver quando juntarmos as três partes no dia 23...!" Brincava na linha de chegada que o evento era audax, mas o pedal randonnée. Afinal, estivemos sempre juntos. No jantar sábado; no café da madrugada; na largada e no happy hour da chegada. Durante a prova, seriam cada qual em seu ritmo e o sol "iluminando" a todos. A organização tentou, de todas as formas, promover essa integração que só as modalidades de longa distância não competitivas proporcionam. Acreditamos ter conseguido criar um ambiente propício para isso. Muitas amizades surgiram, com grandes encontros e reencontros acontecendo, com pessoas separadas, as vezes, por muitos quilômetros mas vibrando na mesma intensidade. Tenho certeza que todos têm pelo menos uma boa história para compartilhar. No final, os 135 galetos com pão e as 60 "pretinhas" promoveram a celebração de que precisávamos.
Em um intervalo superior a 6 horas (!!!) chegaram todos que suportaram o percurso e os 35°C de temperatura (que beleza de sol, não?!). No final, beirando dez da noite e 17h de esforço, chegaram o Smamiglio (possuído) e o Pedrão Camisa 10 (aliviado). Oitenta se inscreveram. Setenta e dois largaram e lutaram. Quarenta e cinco venceram o percurso em sua totalidade. Trinta e seis o fizeram dentro do tempo limite de 15h proposto pela organização. E apenas 15, o fizeram dentro da Lei (13h30min).
Equivalência: foram três subidas da Serra do Rio do Rastro; foram três descidas da serra do rio do rastro em 200 Km na terra. Um verdadeira montanha russa, de altimetria e de emoções: - apreensão na largada; - alívio ao final de uma subida; - tristeza ao ver a próxima subida; - satisfação ao vencer mais uma subida; - resignação ao avistar a próxima subida; - raiva dos organizadores; - desespero nos techos litorâneos de areia fofa; - ódio dos organizadores; - saciedade após o segundo risólis do jóia; - cólera e vingança na subida do rio perso (caixa d'água); - perdão e gratidão na linha de chegada; - (no dia de hoje) desejo, de vivenciar tudo isso de novo.
Levamos todos ao limite e acreditamos ter conseguido. Temos também a certeza de que muita gente encontrou uma força interior, um desejo de seguir em frente que não pensava possuir. Ir até o limite e descobrir o que se pode suportar é uma sensação invariavelmente positiva. Não tenho dúvida de que o Audaxterra (Fodax para os íntimos) será uma dessas coisas boas de lembrar, mas bem depois, pois foi um inferno fazer.
Parabéns a todos pelo comprometimento. Só em largar já precisava de muita coragem.
Abraço a todos!